SOBRE A SPO

Em julho de 1978, um grupo de oftalmologistas resolveu realizar um encontro científico para promover um aperfeiçoamento técnico e uma interação maior entre os seus pares, tendo como convidados os seguintes palestrantes Prof. Dr. Hilton Rocha, um dos maiores expoentes da oftalmologia nacional da época, Dr. Joviano Rezende, Dra. Liane Rezende, Dr. Cristiano Barsante e Dr. Paulo Galvão. Ao programarem esta reunião, deu-se a idéia de fundar uma associação de classe que tivesse como principal intuito o congraçamento e enriquecimento cultural e científico dos médicos com esta área de atuação.

 

 

No dia do início deste encontro, mais precisamente em 17 de julho daquele ano, fundou-se a SOCIEDADE PARAENSE DE OFTALMOLOGIA, tendo como primeiro presidente o Dr. Oriente Vasconcelos. A Sociedade Paraense de Oftalmologia (SPO) foi constituída inicialmente pelos Drs. Paulo Fernandes, Armando Arede, Joaquim Marinho de Queiroz, Jorge Hage, Nazaré Jatene, Fernando Cury, Luiz e Sonia Nogueira, Mário Antonio Martins e Carlos Berbary.

O encontro científico realizado no período de 17 a 20 de julho de 1978, com o apoio da Universidade federal do Pará, foi intitulado 1ª. Jornada Paraense de Oftalmologia, realizada no auditório do Centro-Biomédico e o conferencista da sessão inaugural foi o reitor daquela instituição de ensino superior o Prof. Dr.Aracy Amazonas Barreto, com o tema “A Universidade na Amazônia”. Esta Jornada teve uma imensa repercussão dentro do meio médico da região Norte, tendo sido apontada pelos principais jornais da época, como um verdadeiro marco na história da Medicina Paraense, pelo valor do surgimento do embrião que é a SPO hoje e pelas conquistas obtidas, não somente restritas a nossa região, mas também invadindo o cenário nacional. Durante este encontro, o Prof. Dr. Hilton Rocha em entrevista a um jornal local de grande circulação foi bastante contundente nas suas observações a respeito do número exagerado de escolas de medicina e seu prejuízo na formação dos futuros médicos. Segundo o professor, “O número exagerado e abusivo de escolas de medicina, com um número indiscriminado e abusivo de alunos, cria condições maléficas para a formação dos futuros médicos.” Concluindo as suas observações, diz-se que “Antevê-se uma época próxima em que haja até excesso de médicos, temendo-se que as condições sócio-econômicas do país não possam absorver a oferta. Excesso de médicos, más condições sócios econômicas e surgirá o risco, não de uma Medicina cara, mas sim de uma Medicina fraca e defeituosa.” Demonstrando o quanto era a preocupação deste médico visionário para o seu tempo, e o quanto ele tentava engrandecer a comunidade acadêmica frente as lutas que certamente surgiriam, com a explosão de escolas médicas observadas atualmente.

Já em 1979, a SPO possuía sede provisória, sito na Travessa 9 de Janeiro no. 1555. E já um estatuto A partir de então, pudemos observar um crescimento exponencial qualitativo e quantitativo da oftalmologia paraense, o que antes era apenas pequenos grupos de colegas, tornou-se um referencial de aprimoramento técnico-científico, já que a SPO sempre instituiu como um dos seus principais pilares a realização de encontros e ciclo de palestras para que seus sócios pudessem se reciclar e auxiliar na elucidação e discussão de casos de difícil elucidação.

Em 1979, já havia um ciclo mensal de palestras nas reuniões da SPO, segundo o seguinte cronograma: 25 de julho – Dr. Armando Arede ( Enucleação: ontem e hoje), 29 de agosto – DR Marcelo Bayma ( Rinosporidiose Ocular), 26 de setembro – Dra. Sonia V. Nogueira ( Lentes de Contato). A SPO sempre procurou instigar o desenvolvimento da classe oftalmológica, realizando diversas reuniões como as apresentadas a seguir, sendo as de 1984, na Av Generalíssimo Deodoro, no.1098

 

05 de novembro de 1982 – Correlação Anatomo-clínica (Dr. Joaquim Queiroz)

29 de novembro de 1982 – Ação dos digitálicos cardíacos em portadores de glaucoma crônico simples – Ação anfotericina B nas úlceras micóticas (Dr. Luiz Fernando Cruz)

26 de janeiro de 1983 - Entrópio – aspectos clínicos e cirúrgicos a considerar (Dr. Armando Arede)

01 de fevereiro de 1983 – Exposição teórica-prática de lentes de contato (Dra. Josélia Vilarius (RJ)

24 de fevereiro de 1983 – Anestesia retrobulbar – efeitos sobre a pressão intra-ocular (Dr. Edmundo Almeida)

31 de março de 1983 – Prismas ( Dr. Alexis Fedosseeff (RJ)

28 de abril de 1983 – Estrabismo vertical (Dr. Jorge Hage Amaro)

26 de maio de 1983 – Fotoquímica da visão (Dr. Luiz Nogueira)

23 de junho de 1983 – Toxocara ocular (Dra. Nazaré Jatene)

29 de setembro de 1983 – Ambliopias (Dr. Edgar m. Boti)

03 de novembro de 1983 – Diabetes (Dr. Edgar M. Boti)

24 de novembro de 1983 – Tuberculose ocular (Dr. Emílio Sebastião)

26 de janeiro de 1984 – Oftalmologia Pediátrica (Dr. Jorge Hage)

23 de fevereiro de 1984 – Descolamento de retina (Dr. Edmundo Frota)

29 de março de 1984 – Sessão anatomo-clínica (Dr Joaquim Marinho de Queiroz)

26 de abril de 1984 – Glaucoma congênito (Dr. José Alegria)

31 de maio de 1984 – Doenças congênitas oculares (Dr. Ofir Dias Vieira)

26 de agosto de 1984 – Microtropia ( Dr. Edgar M. Boti)

27 de setembro de 1984 – Cirurgia de glaucoma ( Dr. Luiz Nogueira)

25 de outubro de 1984 – Tumores Oculares (Dr. Luiz Fernando Cruz)

29 de novembro de 1984 – Perfuração ocular (Dr. Edmundo Frota).

E a luta pelos direitos dos pacientes, a SPO ficou sempre na vanguarda dos acontecimentos, como pode se notar na correspondência, datada de 28 de novembro de 1983, enviada aos representantes na Câmara Federal e no senado pedindo providências a respeito da adaptação de lentes de contato e a refratometria por profissionais não-médicos.

A criação do Banco de Olhos da Sociedade Paraense de Oftalmologia foi um marco de grande relevância para a Oftalmologia paraense, já que possibilitou o crescimento exponencial das cirurgias de transplante de córnea, pois, haveria material para execução deste procedimento, sem a necessidade de exportar córneas de outro centro.

 

Dr. Lauro Jose Barata de Lima.

CRM-PA: 6521



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