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O QUE É DALTONISMO?

Aproximadamente 180 milhões de pessoas no mundo apresentam alguma grau de daltonismo.


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Daltonismo

 

  1. Entendendo a doença:

A sensação de cor é subjetiva e está relacionada à sensação e à interpretação que, por sua vez, resultam do aprendizado. A imagem de um objeto atravessa o olho e as ondas luminosas são transformadas em impulsos eletroquímicos por dois conjuntos de células fotorreceptoras (cones e bastonetes) e enviados pelo nervo óptico ao cérebro, que os interpreta e classifica. Assim, as cores são percebidas na retina e processadas no cérebro. O sentido cromático normal (tricomatropsia) ocorre pela presença de 3 pigmentos visuais encontrados nos cones: azul, verde e vermelho, sendo que a percepção das cores do espectro visível é decorrente da combinação desses diferentes pigmentos estimulados.

O daltonismo (deficiência de cores ou cegueira para cores ou discromatopsia ou discomopsia) é um tipo de deficiência visual em que o indivíduo não é capaz de reconhecer e diferenciar algumas cores específicas. Sua principal característica é a dificuldade para distinguir o vermelho e o verde e, com menos frequência, o azul e o amarelo. O distúrbio recebeu este nome em homenagem ao químico inglês John Dalton, que foi o primeiro a estudar as características do daltonismo. Aproximadamente 180 milhões de pessoas no mundo apresentam percepção de cores parcialmente ou completamente oculta.

Nos daltônicos, os cones não existem em número suficiente ou apresentam alguma alteração. Assim a pessoa pode ser portadora de uma deficiência na identificação da cor ou pode apresentar ausência completa de sensibilidade a ela.

  1. Causas:

Na quase totalidade dos casos, o daltonismo é uma condição geneticamente hereditária e recessiva, ligada ao cromossomo sexual X. Raramente, o transtorno afeta as mulheres, porque possuem dois cromossomos X. Quando elas recebem de um dos pais o cromossomo com a mutação genética, o outro, que é normal, compensa a alteração. O fato é que, apesar de distinguirem normalmente as cores, elas são portadoras do gene defeituoso e podem transmiti-lo para seus filhos. No entanto, só serão daltônicas, se receberem do pai e mãe o cromossomo X com o gene anômalo.

Mas não são somente fatores genéticos que podem levar uma pessoa a desenvolver daltonismo, embora este seja bem mais comum em pessoas que apresentam o distúrbio por herança genética.  

2.1) Doenças:

Algumas condições podem levar ao daltonismo. Veja as principais:

Outras doenças do olho, como glaucoma e degeneração macular, também podem contribuir para o problema.

2.2) Medicamentos:

Remédios usados para tratar hipertensão arterial e alguns distúrbios psicológicos podem elevar as chances de uma pessoa desenvolver daltonismo.

2.3) Produtos químicos:

Uma pessoa que for exposta a determinados produtos químicos, como sulfureto de carbono e alguns fertilizantes, também podem ser mais suscetíveis ao daltonismo.

2.4) Envelhecimento:

A capacidade de enxergar, distinguir e reconhecer cores pode se deteriorar lentamente como parte natural do processo de envelhecimento.

 

  1. Classificação

 

3.1) Classificação de acordo com a intensidade:

3.1.1) Deficiência na visão de cores.

Todas as células sensoriais (os cones vermelhos, verdes e azuis) estão presentes na retina, mas somente alguns operam incorretamente, em geral os cones responsáveis pela visualização do verde. O termo técnico é deuteranomalia. Segundo os médicos, pessoas com deficiência de vermelho sofrem de protanomalia.

3.1.2) Daltonismo parcial.

Nesse tipo de daltonismo faltam algumas células sensoriais. Pessoas acometidas possuem somente dois tipos de cones funcionando. Por consequência, a visualização de cores é significantemente reduzida. Isso por vezes pode ser perigoso para motoristas quando a habilidade de visualizar o vermelho for comprometida ou ausente. Quando há neblina, por exemplo, só enxergam preto ao invés da luz traseira vermelha do veículo que está à frente.

3.1.3) Daltonismo completo.

Esse distúrbio conhecido como acromatopsia é muito raro. Pessoas com esse distúrbio não assimilam nenhuma nuance de cor. São também muito sensíveis à luz. Tanto o daltonismo congênito como a deficiência de visão de cor inata são causados por um defeito genético. Homens são acometidos muito mais frequentemente do que mulheres. A deficiência visual de reconhecimento de cores mais frequente adquirida é a visualização limitada de azul e amarelo. Muitas vezes ocorre em consequência a uma degeneração macular. Pessoas que não conseguem enxergar determinadas cores desde nascença, ou que apenas enxergam poucas cores, muitas vezes não tem consciência disso. O problema só é constatado quando o ambiente alerta para a questão.

 

3.2) Classificação de acordo com cor.

A deficiência na visão das cores, própria do daltonismo, pode ser de três tipos:

3.2.1) Protanopia

Este tipo de daltonismo é o mais comum de todos e é caracterizado, principalmente, pela diminuição ou ausência total do pigmento vermelho. No lugar dele, o indivíduo com o distúrbio pode enxergar tons de marrom, verde ou cinza, mas, em geral, varia de acordo com a quantidade de pigmentos que o objeto possui. Neste tipo, o verde tende a parecer semelhante ao vermelho.

3.2.2) Deuteranopia

Uma pessoa com este tipo de daltonismo não é capaz de distinguir a cor verde. Mas, da mesma forma que ocorre com a protanopia, os tons vistos geralmente são puxados para o marrom. Assim, quando ela observa uma árvore, enxerga tudo em apenas uma cor, com uma pequena diferença de tonalidade entre tronco e folhas.

3.2.3) Tritanopia

A tritanopia é o tipo mais raro de daltonismo. Ela interfere na distinção e reconhecimento das cores azul e amarelo. Uma pessoa com este tipo de visão não perde totalmente a noção do azul, o enxerga em tonalidades diferentes. Já o amarelo vira um rosa-claro. Pessoas com tritanopia não enxergam a cor laranja.

Obs: algumas pessoas podem apresentar a disfunção em dois tipos de cones e apenas distinguir uma das cores, em geral, o verde ou o vermelho.

 

3.3) Classificação de acordo início dos sintomas

As discromatopsias podem ser congênitas ou adquiridas e o entendimento destas duas condições é fundamental para que o examinador tenha condições de planejar o acompanhamento e a terapêutica do seu paciente. Podemos observar algumas diferenças básicas entre os dois tipos:

 

Diferenças clínicas entre os defeitos congênitos e os adquiridos da sensibilidade cromática

Congênitas

Adquiridas

Presentes ao nascimento

Início após o nascimento

Alta prevalência em homens

Prevalência igual em homens e mulheres

Tipo e severidade do defeito são estáveis

Tipo e severidade do defeito podem variar

O defeito pode ser classificado precisamente

Podem ser difíceis de classificar. Geralmente, são inespecíficos

Ambos os olhos são igualmente afetados

A severidade varia entre os olhos acometidos

Acuidade visual é inalterada (exceto no monocromatismo) e o campo visual é normal

Acuidade visual frequentemente é reduzida,

 Podendo ser acompanhada de redução do campo visual

Predominam defeitos do tipo protan e deutan

Predominam defeitos do tipo tritan

 

     4. Epidemiologia:

Na população geral, estima-se que as discromatopsias congênitas acometam 6%-10% dos homens e 0,4% a 0,7% das mulheres. A grande diferença entre o número de homens afetados comparados com o de mulher se explica pelo fato de o daltonismo ser provocado por gene recessivo ligado ao cromossomo X. Para um homem nascer daltônico, é suficiente que seu único cromossomo X esteja afetado. Já para a mulher ser daltônica, seus dois cromossomos X devem estar afetados.

 

  1. Diagnóstico:

Nos distúrbios de visão de cores, podem estar afetados os três atributos que caracterizam a sensação de cor: tom, saturação e brilho, em graus variáveis.

Os testes de visão de cores são usados para os seguintes fins: triagem, caracterizar o tipo de defeito, diferenciar entre defeito congênito e adquirido, avaliar a severidade do defeito e para orientar testes vocacionais.

Dentre as opções de exames para o diagnóstico, podemos citar 3 que auxiliam também na determinação do grau de comprometimento na percepção de cores. São eles: anomaloscópio da Nagelan, as lãs de Holmgren e o teste de cores de Ishihara.

O teste de Ishihara é, sem dúvida, o teste de pranchas mais conhecido e usado no mundo, sendo considerado o exame mais eficaz para uma rápida identificação das deficiências congênitas para visão de cores. Utilizam-se cartões com grande número de pontos coloridos, que têm no centro uma letra ou número só identificados por pessoas com visão normal. Para as crianças não alfabetizadas, foram criados cartões que têm no centro, desenhos ou figuras geométricas fáceis de serem reconhecidas.

 

         6. Tratamento e Prognóstico:

O daltonismo não tem cura, mas pode ser tratado e suas consequências minimizadas. Existem lentes de contato e óculos especiais que auxiliam as pessoas com daltonismo a distinguir cores muito semelhantes.

A doença é uma condição para toda a vida e seus portadores conseguem adaptar-se muito bem a ele, sem apresentar maiores dificuldades. Diminuir a  luminosidade  dos ambientes pode ajudar pessoas com daltonismo a enxergar e distinguir as cores um pouco melhor.

A única recomendação e orientação é que pessoas com daltonismo não almejem profissões que exijam a visão perfeita. É o caso, por exemplo, de pilotos de avião.

 

  1. Prevenção:

Por se tratar de uma doença majoritariamente genética, não existem formas conhecidas de se prevenir daltonismo.

 

  1. Considerações:

A discromatopsia pode ter implicações diretas no processo de ensino-aprendizado em todos os níveis educacionais. Portanto, faz-se necessário que os educadores estejam capacitados para identificar prováveis alunos com defeito de visão cromática. Espera-se igualmente que os sistemas públicos de saúde e educação se organizem e estabeleçam diretrizes sobre como lidar com a condição.

 

 

Dra. Ana Carolina Malheiros Pereira Silva.

Fellowship em Retina Clínica e Oftalmopediatria pela Faculdade de Medicina do ABC–SP.

CRM/PA: 8732.

 

Dr. Carlos Henrique Vasconcelos de Lima.

Fellowship em Glaucoma e Catarata pela Faculdade de Medicina de Marília-SP.

CRM/PA: 7967.

 


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