NOTÍCIAS

GESTAÇÃO E SAÚDE OCULAR

Toda gestante deve procurar um médico oftalmologista na presença dos primeiros sinais ou sintomas oculares.


img24

          A gravidez provoca inúmeras alterações no corpo das mulheres, inclusive nos olhos. Grandes mudanças hormonais, aumento de sangue circulante no corpo e retenção de líquidos que acontecem em toda gestante, podem afetar os olhos com frequência. Normalmente, a maioria dos sintomas oftalmológicos desaparecem após o parto, mas é importante saber o que realmente pode acontecer para evitar situações desnecessárias de estresse.

            As modificações mais frequentes que podem ocorrer na gestação são divididas em 3 categorias: alterações oculares fisiológicas, modificações em doenças oculares pré-existentes e alterações patológicas causadas pela gestação.

 

1) Alterações fisiológicas oculares

           

          - Visão embaçada: mesmo grávidas que não têm miopia ou astigmatismo podem apresentar visão embaçada por causa das mudanças em estruturas do olho, como a córnea por exemplo.

           - Olho seco: causado por alterações na composição da lágrima, e consequente lubrificação inadequada da superfície ocular. Isto pode ser amenizado evitando ambientes com ar condicionado e utilizando colirios lubrificantes, sempre prescritos por oftalmologistas.

            - Aumento da sensibilidade à luz durante a gestação: ocasionada pela redução da sensibilidade e falta de lubrificação das córneas.

            - Variações na Acomodação Visual: a gestante pode experimentar diminuição da acomodação, que resulta na dificuldade de focalização de objetos próximos e para leitura.

          - Edema das pálpebras: ocorre em consequência da elevação da circulação de sangue nesta região, resultando em inchaço. A retenção de líquido típica da gravidez também colabora para o quadro.

          - Diminuição da pressão intraocular: principalmente no terceiro trimestre de gestação, decorrente do aumento do escoamento e diminuição da produção do humor aquoso, liquido que é produzido e drenado pelos olhos. Esta situação pode persistir por vários meses após o parto.

 

 

2) Modificações em doenças oculares pré-existentes

           

           - Mudança no grau: gestantes que usam correções opticas como óculos ou lentes de contato, podem manifestar leves mudanças no grau de miopia e astigmatismo e consequente embaçamento visual, pois suas córneas costumam ter um aumento em sua espessura e curvatura durante a gravidez. Como essa condição é transitória, o ideal é não trocar os óculos nessa época e principalmente não submeter-se à cirurgia refrativa para correção dos graus dos óculos. Recomenda-se uma avaliação oftalmológica algumas semanas após o parto para que seja prescrita uma nova correção.

            - Lentes de contato: A tolerância ao uso das lentes de contato pode diminuir e fazer com que a gestante se sinta desconfortável com as lentes de contato antigas. Deve se ter em mente também que a sensibilidade corneana pode diminuir durante a gestação, retardando assim a percepção de possíveis complicações relacionadas ao mal uso das lentes. Sendo assim, a recomendação é fazer uma avaliação com seu oftalmologista para verificar quaisquer alterações na superfície ocular e caso os olhos fiquem vermelhos, descontinuar o uso das lentes o mais rápido possível até uma avaliação médica. Sugere-se a utilização dos óculos com maior regularidade neste período.

          - Glaucoma: já foi descrito melhora do glaucoma pré-existente durante a gravidez, sendo raro o aparecimento do quadro glaucomatoso durante o período gestacional.

           - Retinopatia diabética: a gravidez é considerada fator de risco para progressão de retinopatia diabética. Diabetes gestacional, na ausência de diabetes pré-existente, não mostra uma associação similar com retinopatia diabética. A progressão da retinopatia durante a gravidez é muito influenciada pela coexistência de hipertensão e pré-eclâmpsia, e está diretamente relacionada com a gravidade da retinopatia pré-existente e, ainda, fortemente influenciada pela duração da diabetes antes da concepção. A conduta mais importante é a prevenção. O ideal seria a paciente ter um bom controle glicêmico e a retinopatia ser tratada previamente à concepção.

            - Uveítes (inflamações intraoculares): o impacto da gravidez no curso das doenças inflamatórias não está bem estabelecida, embora haja relatos na literatura da ocorrência de piora da doença. Existe uma condição grave que ocorre quando a mãe apresenta a doença toxoplasmose durante a gestação, ocasionando a coriorretinite ou uveite posterior, que pode afetar de forma grave a visão do bebê.

            - Alta miopia: Estudos realizados com grávidas portadoras de alta miopia, concluiu que a manobra de Valsalva, durante o trabalho de parto normal, não resulta em complicações oculares como o descolamento de retina.

 

3) Alterações patológicas causadas pela gravidez.

           

          - Visão manchada e/ou pontos pretos na imagem: as duas situações podem ser sinais de pressão alta durante a gravidez. O quadro exige acompanhamento médico, já que os níveis muito elevados de pressão sanguínea podem provocar o descolamento da retina, além de complicações para mãe e bebê. 

            - Pré-eclâmpsia e eclâmpsia: a hipertensão induzida na gravidez, embora rara, ainda é uma importante causa de baixa visual durante a gravidez e pós-parto. Distúrbios visuais tais como manchas escuras no campo visual, visão dupla e embaçamento visual, são descritos em pacientes com eclâmpsia e com pré-eclâmpsia grave. As queixas visuais devem ser consideradas um sinal iminente de convulsão em pacientes com pré-eclâmpsia. Descolamento de retina chega a ocorrer em pacientes com eclâmpsia. Alguns casos de cegueira transitória são atribuidos à isquemia do nervo óptico, vasoespasmo e edema retiniano.

            - Retinopatia serosa central: é definida como um descolamento idiopático da área central da retina. Geralmente causa uma diminuição da acuidade visual de leve a moderada, acompanhada de sintomas que comprometem qualidade de visão e alteração da visão das cores.

            É importante ressaltar que as mesmas alterações hormonais que fazem a gestante inchar, enjoar e mudar de humor e provocam mudanças físicas importantes no corpo, são também responsáveis por provocar modificações oculares capazes de causar de um simples desconforto nos olhos até um sério comprometimento da visão no bebê. Por isso, é preciso muita atenção e a avaliação com o médico oftalmologista ao menor sinal ou sintomas oftalmológicos.

 

Referências:

http://www.cbo.net.br/novo/publico-geral/alteracoes-visuais-relacionadas-aos-hormonios-da-gravidez.php

 

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27492009000200029

 

 

            Dra. Paula Caluff.

Médica Oftalmologista.

Fellow-Ship em Segmento Anterior e Glaucoma pelo Hospital do Servidor Público      Estadual de São Paulo (HSPE).

            Fellow-Ship em Cirurgia Refrativa pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP).

            CRM-Pa: 8034.

 

            Dra. Adriana Costa.

            Médica Oftalmologista.

            Fellow-Ship em Plástica Ocular pelo Hospital Leiria de Andrade (CE).

            CRM-Pa: 8713.

 

 Dr. Carlos Lima.

Médico Oftalmologista.

Fellow-Ship em Plástica e Vias Lacrimais pela Faculdade de Medicina de Marília-SP (FAMEMA). 

Fellow-Ship em Catarata e Glaucoma pela FAMEMA.

CRM-Pa: 7967

 


img23

TUDO SOBRE ESTRABISMO

Um mal que afeta adultos e crianças.

Saiba Mais

Saiba Mais
img23

OBSTRUÇÃO DE VIAS LACRIMAIS

LACRIMEJAMENTO OCULAR CONSTANTE? VOCÊ PODE ESTAR COM OBSTRUÇÃO DAS VIAS LACRIMAIS!

Saiba Mais

Saiba Mais
img23

TOXOPLASMOSE OCULAR.

Nem toda baixa visão é falta de grau... nem todo olho vermelho é conjuntivite... muitas vezes é a Toxoplasmose Ocular!

Saiba Mais

Saiba Mais


Fale Conosco

Dúvidas ou sugestões entre em contato.

Fale com a gente