NOTÍCIAS

CROSSLINK CORNEANO

UMA IMPORTANTE ALTERNATIVA NO TRATAMENTO DO CERATOCONE


img24

O ceratocone é uma doença ocular que acomete a córnea, parte mais anterior do globo ocular. Caracteriza-se por ser progressiva, bilateral e assimétrica. Sua frequência na população geral é de aproximadamente 1 em cada 2.000 pessoas. Costuma aparecer principalmente entre 10 e 15 anos (mas há relatos em crianças mais novas) e progredir até cerca de 35 anos de idade, quando então tende a estabilizar-se (Figura 1).

Resultado de imagem para ceratocone

Figura 1: Cornea normal e ceratocone.

Nesta patologia, há um afinamento e aumento da curvatura corneana, devido à sua instabilidade biomecânica, induzindo desta maneira o surgimento de miopia e astigmatismo irregular; e levando à baixa progressiva da acuidade visual. É comum o paciente fazer trocas constantes do óculos antes de realizar o diagnóstico. Sendo que, o diagnóstico definitivo é feito com base nas características clínicas (exame refracional e avaliação da acuidade visual) e com exames objetivos como a topografia corneana que avalia a curvatura da córnea e a paquimetria ultrassônica que verifica a espessura.

O tratamento do ceratocone depende do seu estágio de evolução e sempre tem o objetivo de melhorar a visão do paciente e impedir a progressão da doença que pode ser bastante debilitante para a acuidade visual caso nenhum tratamento seja realizado. As alternativas sempre são avaliadas após consulta oftalmológica detalhada com profissional capacitado. Segue a seguinte ordem: óculos, lentes de contato e cirurgias. A correção com óculos proporciona boa acuidade visual somente nas fases iniciais da doença, quando ainda não há astigmatismo irregular importante. Quando a refração já não consegue proporcionar uma boa acuidade visual, está indicado o uso de lentes de contato, preferencialmente rígidas.

Nos casos avançados, onde se observa baixa acuidade visual corrigida e/ou intolerância às lentes de contato, deve-se avaliar a indicação de implante de anel intra-estromal; e quando o mesmo não é possível o transplante de córnea está indicado. O implante de anel intra-estromal age induzindo aplanamento corneano significativo, com consequente melhora da acuidade visual com e sem correção, além de redução substancial da refração.

Visando preservar e fortalecer o estroma corneano da instabilidade biomecânica, já que nenhuma das medidas para melhora da acuidade visual é capaz de evitar a progressão da doença (óculos, lentes de contato ou anel intra-estromal), foi desenvolvido uma técnica que envolve a promoção das ligações covalentes de colágeno nesta região. Esta técnica é chamada de "Crosslink" de colágeno corneano – Ultra B2 ou simplesmente CXL. Utiliza-se vitamina B2 (Riboflavina) que atua como elemento foto-sensível, e juntamente com a luz ultravioleta existe a promoção de novas ligações covalentes intra e interfibrilares, através da oxidação foto-sensível, tornando a córnea mais rígida e menos elástica.

O procedimento, que pode variar a duração de 30 minutos até 1 hora, é realizado com anestesia tópica, consiste na aplicação de um colírio de Riboflavina (vitamina B12) associado a dextrano sobre a córnea previamente desepitelizada, que será ativado por uma luz ultravioleta. Essa combinação promoverá o estimulo da contração e união das fibras de colágeno da córnea, que por sua vez irá aumentar a resistência e reforçar sua estrutura, após o procedimento é colocado no olho operado uma lente de contato terapêutica para proteção da córnea até sua reepitelização (Figura 2).

Resultado de imagem para crosslink corneano Figura 2: Crosslink (técnica).

O Crosslink possui indicação quando o paciente possui comprovação da evolução da doença. Os critérios levados em consideração para caracterizar a progressão da doença são: aumento da curvatura corneana, perda de linhas de visão e aumento refracional.

Esse procedimento minimiza consideravelmente as chances de progressão do ceratocone, podendo retardar sua evolução ou até estagnar a doença. Desta forma diminui consideravelmente a indicação de transplante de córnea para esses pacientes.

Para a realização do CXL é importante respeitar uma espessura mínima da córnea de pelo menos 400 micras. Isto garante que não haja danos em outras estruturas como o endotélio corneano, cristalino ou retina.

Vale lembrar que o objetivo desta técnica é estabilizar a córnea para estagnar a doença. Para aqueles casos com má qualidade refrativa associado a progressão do ceratocone, deve-se avaliar primeiro a possibilidade de implante do anel intra-estromal, para melhorar a acuidade visual /refração, para posteriormente realizar o CXL.

Recentemente o crosslinking tem sido indicado também para tratamento de úlceras corneanas, melting e ceratopatia bolhosa, porém sua principal indicação continua sendo para o tratamento de ceratocone.

Apesar de não freqüentes, algumas complicações podem surgir após o procedimento, entre elas: ceratite por Staphylococus Epidermidis ou E.coli, melting corneano causado por Acanthamoeba, ceratite epitelial geográfica e iritis herpética.

 

 

  1. Cristina Cardoso Coimbra Cunha.

Médica Oftalmologista.

CRM-PA: 8998

 

  1. Giselle Maria Machado Sgrott.

Médica Oftalmologista.

CRM-PA: 9423

 

  1. Aline Andreza Henderson de Castro.

Médica Oftalmologista.

CRM-PA: 9007

 

 

 

 


img23

DEGENERAÇÃO MACULAR RELACIONADA À IDADE

Saiba com se prevenir e identificar os primeiros sintomas!

Saiba Mais

Saiba Mais
img23

TODA A VERDADE SOBRE O MÉTODO MEIR-SCHNEIDER-SELF - HEALING.

Não há método milagroso para deixar de usar óculos ou curar patologias oculares.

Saiba Mais

Saiba Mais
img23

OBSTRUÇÃO DE VIAS LACRIMAIS

LACRIMEJAMENTO OCULAR CONSTANTE? VOCÊ PODE ESTAR COM OBSTRUÇÃO DAS VIAS LACRIMAIS!

Saiba Mais

Saiba Mais


Fale Conosco

Dúvidas ou sugestões entre em contato.

Fale com a gente